RATINHO JR. E A MEMÓRIA SELETIVA: QUANDO A CRÍTICA VIRA ESPELHO

11 de agosto de 2026

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Existe algo profundamente irônico acontecendo no grupo do PSD 55 do Paraná. Ratinho Jr. e seus aliados estão criticando duramente a ausência de Sergio Moro no debate da Band. Criticam, provocam, questionam a coragem, sugerem fraqueza, insinuam que Moro está com medo. Mas há um pequeno detalhe que parece ter escapado da memória do governador: Ratinho Jr. fez exatamente a mesma coisa em 2022. E venceu no primeiro turno.


Sim, você leu corretamente. Em agosto de 2022, quando houve o primeiro debate na Band, quem estava ausente? Ratinho Jr. Quem não participou? Ratinho Jr. Quem alegou incompatibilidade de agenda? Ratinho Jr. E qual foi o resultado? Ratinho Jr. venceu no primeiro turno. Venceu sem estar lá. Venceu sem responder às provocações. Venceu sem entrar na arena que os adversários prepararam.


Agora, em 2026, Ratinho Jr. e o PSD estão fazendo exatamente aquilo que criticavam quando sofriam. Estão transformando a ausência de um candidato em narrativa de fraqueza. Estão tentando vender a ideia de que quem não participa de debate está perdendo. Mas a história recente do próprio Paraná contradiz completamente essa narrativa.


A memória curta de Ratinho Jr. é tão evidente que qualquer eleitor minimamente atento consegue enxergar. O governador está criticando em 2026 aquilo que ele mesmo fez em 2022 com sucesso eleitoral. Está questionando a estratégia que usou para vencer. Está sugerindo que a ausência em debate é sinal de fraqueza quando sua própria trajetória prova o contrário. É a incoerência política em seu estado mais puro.


E há uma pergunta que fica no ar: se a ausência em debate é realmente tão prejudicial quanto Ratinho Jr. agora afirma, como ele próprio venceu no primeiro turno estando ausente? Como ele conseguiu mais votos que todos os adversários juntos sem participar daquele debate? Como sua estratégia funcionou tão bem se a ausência é realmente uma demonstração de fraqueza?


A resposta é simples e incômoda para quem está criticando: porque Ratinho Jr. compreendeu em 2022 exatamente aquilo que Sergio Moro compreendeu em 2026. Compreendeu que eleição não se ganha em palco televisivo. Compreendeu que debate é apenas um momento de uma campanha que dura meses. Compreendeu que quem está em posição competitiva não precisa aceitar todas as provocações. Compreendeu que às vezes a melhor estratégia é preservar capital político em vez de se desgastar em arena preparada pelos adversários.


Ratinho Jr. venceu porque estava certo em sua avaliação estratégica. Agora está criticando essa mesma estratégia quando usada por Moro. Está tentando mudar as regras do jogo porque agora está em posição diferente. Quando estava vencendo pela ausência, era estratégia inteligente. Quando está sendo imitado por quem está em posição competitiva, virou covardia. Essa é a lógica da velha política: as regras mudam conforme o interesse.


E há algo ainda mais provocador nessa história. Se Ratinho Jr. realmente acredita que ausência em debate prejudica um candidato, por que não reconhece que sua própria vitória no primeiro turno prova o contrário? Por que não admite que sua estratégia funcionou? Por que precisa criticar em Moro aquilo que funcionou tão bem em si mesmo?


A resposta é que Ratinho Jr. não está sendo honesto com a análise política. Está sendo estratégico. Está tentando desqualificar Moro usando exatamente a estratégia que o levou à vitória. Está tentando vender a ideia de que a ausência prejudica quando sua própria história eleitoral grita o contrário. Está tentando mudar as regras porque agora o jogo não está mais a seu favor.


Sandro Alex segue o mesmo caminho. Critica a ausência de Moro enquanto tenta se beneficiar da narrativa de que Moro está enfraquecido. Mas essa narrativa não resiste a uma análise simples dos fatos. Ratinho Jr. provou em 2022 que é possível vencer sem participar de debate. Ratinho Jr. provou que estratégia inteligente não é entrar em todas as brigas. Ratinho Jr. provou que preservar capital político pode ser mais importante que vencer uma batalha televisiva.


E agora, em 2026, Ratinho Jr. está tentando convencer o eleitor de que aquilo que funcionou em 2022 é fraqueza em 2026. Está tentando convencer que a mesma estratégia que o levou ao primeiro turno é demonstração de medo quando usada por Moro. Está tentando reescrever as regras do jogo político conforme seu interesse momentâneo.


Será que teremos a repetição com Moro vencendo no primeiro turno? Essa é a pergunta que Ratinho Jr. deveria estar fazendo a si mesmo em vez de criticar a ausência de Moro. Porque se a história se repetir, se Moro vencer no primeiro turno assim como Ratinho Jr. venceu, a ironia será tão brutal que nem o próprio governador conseguirá negar.


A memória curta de Ratinho Jr. é política. É estratégica. É calculada. Mas é também reveladora. Revela que quando as regras não favorecem mais, a velha política tenta mudá-las. Revela que quando a estratégia não funciona mais para você, você a critica nos outros. Revela que a coerência não é exatamente a marca registrada da política tradicional paranaense.


Sergio Moro não precisa responder às críticas de Ratinho Jr. sobre sua ausência no debate. Moro pode simplesmente apontar para o histórico do próprio governador. Pode dizer: você fez isso em 2022 e venceu. Eu estou fazendo em 2026. Vamos ver quem vence desta vez.


E essa é a verdadeira ironia dessa história. Ratinho Jr. está criticando em Moro exatamente aquilo que o tornou governador. Está questionando a estratégia que funcionou. Está sugerindo que a ausência é fraqueza quando sua própria trajetória prova que pode ser inteligência política.


O eleitor paranaense merece compreender essa incoerência com clareza absoluta. Merece saber que Ratinho Jr. está criticando uma estratégia que ele mesmo usou com sucesso. Merece saber que a memória curta do governador não é acaso, é escolha política. Merece saber que quando as regras mudam conforme o interesse, não estamos falando de política de princípios, mas de velha política em seu estado mais puro.


Ratinho Jr. venceu em 2022 sem participar de debate. Agora critica quem tenta fazer o mesmo em 2026. Essa é a contradição que define a campanha. Essa é a incoerência que o eleitor não deveria esquecer.


E há uma questão que paira sobre tudo isso: se Moro vencer no primeiro turno em 2026 usando a mesma estratégia que Ratinho Jr. usou em 2022, o que o governador dirá? Como explicará que a ausência em debate foi prejudicial quando sua própria vitória prova que não foi? Como justificará ter criticado em outro aquilo que o levou ao poder?


A resposta é que não haverá explicação que resista à lógica dos fatos. Não haverá narrativa criativa o suficiente para contornar a contradição. Não haverá discurso sofisticado que convença o eleitor de que as regras são diferentes para Ratinho Jr. e para Moro.


Porque no final, o que importa é o resultado. E se Moro vencer no primeiro turno, a ironia será tão perfeita que a história do Paraná registrará: Ratinho Jr. criticou em 2026 exatamente aquilo que o tornou governador em 2022. E Sergio Moro, ao vencer usando a mesma estratégia, terá a resposta mais eloquente possível para todas as críticas.


Ratinho Jr. e Sandro Alex estão cometendo um erro estratégico grave. Estão tentando transformar em fraqueza aquilo que é inteligência política. Estão criticando uma estratégia que já provou funcionar. Estão reescrevendo as regras do jogo conforme seu interesse momentâneo. E quando Moro vencer, eles terão que lidar com a ironia de terem ajudado a construir a narrativa de sua própria derrota.


A memória curta de Ratinho Jr. pode ser esquecida pelo governador. Mas o eleitor paranaense não esquecerá. E em 2026, quando entrar na cabine de votação, lembrará exatamente disso: que Ratinho Jr. fez em 2022 aquilo que agora critica em Moro. Que a estratégia funcionou quando era dele. Que a incoerência não é fraqueza de Moro, é fraqueza de quem critica sem memória do próprio passado.

Ney Ferreira

Áudios das críticas dos adversários do Ratinho Júnior por ter faltado ao debate em 2022.

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