![]()
Existe uma ironia profunda na candidatura de Sergio Moro ao governo do Paraná que merece ser dita com clareza absoluta. Enquanto a velha política paranaense se debate em suas contradições, em suas coalizões fragmentadas, em suas negociações intermináveis com prefeitos e oligarquias locais, Moro oferece algo que a política tradicional não consegue mais oferecer: a recusa genuína de jogar o jogo que todos conhecem.
Moro lidera as pesquisas não porque conquistou a máquina estatal, não porque negociou com lideranças regionais, não porque fez acordos com oligarquias centenárias. Moro lidera porque representa exatamente o oposto disso tudo. Sua candidatura é legítima justamente porque não precisa fazer sucessor, não precisa construir coalizão, não precisa perpetuar estruturas de poder. Sua base é ideológica e essa é sua força, não sua fraqueza.
Ratinho Jr. desistiu de sua candidatura presidencial porque compreendeu que não conseguia fazer sucessor. Essa é a maldição que persegue governadores paranaenses há décadas. Mas Moro não está preso a essa lógica. Moro não precisa de sucessor porque não representa uma máquina política que precisa ser perpetuada. Representa uma missão. E missões não precisam de herdeiros, precisam de continuidade de princípios.
A análise acadêmica é honesta em reconhecer isso: Moro segue outra lógica, avesso à política, e evita pontes com uma classe que ajudou a condenar. Se eleito, dificilmente formaria uma coalizão. Mas aqui está o ponto que a velha política não consegue compreender: seu eleitorado não cobra essa costura. Não cobra porque cada recusa à negociação renova exatamente a missão que o legitima. Cada “não” a um acordo tradicional é um “sim” ao que o eleitor votou.
Enquanto Sandro Alex e Rafael Greca tentam desfragmentar um terço do eleitorado através de coalizões e negociações, enquanto Requião Filho consolida o campo lulista através de alianças partidárias, Moro simplesmente não precisa disso. Sua base é bolsonarista, é conservadora, é avessa à velha política. E essa base não quer que ele negocie com a velha política. Quer que ele a combata.
Há um obstáculo do segundo turno, é verdade. No segundo turno, vencer depende de somar apoios além da própria base. Mas aqui está a verdadeira genialidade da estratégia de Moro: se chegar ao segundo turno, a frente ampla que se formar contra ele não o enfraquecerá. Fortalecerá. Porque nada confirma melhor a cruzada antissistema do que o sistema unido contra ele.
A velha política paranaense está acostumada a um jogo onde governadores negociam com prefeitos, onde oligarquias fazem acordos, onde máquinas políticas se perpetuam através de sucessores. Moro não joga esse jogo. Moro oferece ruptura genuína. E é exatamente por isso que lidera as pesquisas mesmo sem ter feito os acordos que a política tradicional considera indispensáveis.
Ratinho Jr. tem altíssima aprovação, mas não consegue transferir votos para seu sucessor. Isso não é acaso. É revelador. Revela que a aprovação pessoal não se traduz em poder político institucional quando você não tem uma missão que transcenda a máquina estatal. Moro tem essa missão. E por isso sua liderança não depende de máquina, depende de convicção.
O Paraná está diante de uma escolha clara. Pode escolher continuar o jogo que sempre jogou: negociações, coalizões, perpetuação de estruturas. Ou pode escolher ruptura genuína. Pode escolher um candidato que não precisa fazer sucessor porque não representa uma máquina que precisa ser perpetuada. Pode escolher alguém cuja recusa à negociação não é fraqueza, é coerência.
E é exatamente por isso que Moro é tão perigoso para a velha política paranaense. Não porque seja mais forte. Mas porque oferece algo que nenhuma coalizão consegue oferecer: autenticidade antipolítica em um momento em que a política tradicional não consegue mais se vender como solução.
A história recente do Paraná mostra que governadores que tentam perpetuar máquinas políticas fracassam em fazer sucessores. Mas Moro não está tentando perpetuar máquina nenhuma. Está oferecendo mudança genuína. E é por isso que sua candidatura representa algo diferente de tudo que a política paranaense conheceu nos últimos cinquenta anos.
O eleitor que vota em Moro não está votando em um político que promete negociar melhor com as oligarquias. Está votando em alguém que promete romper com elas. Essa é a diferença fundamental. Essa é a razão pela qual sua liderança nas pesquisas não depende de máquina estatal, de acordos com prefeitos, de negociações com lideranças tradicionais.
Se Moro vencer, terá vencido não apesar de sua recusa à negociação tradicional, mas por causa dela. Terá vencido porque ofereceu ao eleitor paranaense exatamente aquilo que ele estava procurando: uma alternativa genuína à velha política que governa o estado há décadas.
Ney Ferreira
Mestre em Desenvolvimento de Novas Tecnologias e Especialista em Gestão Pública
