O CICLO QUE SE FECHA: UMA CARTA AO PRESIDENTE LULA

7 de outubro de 2026

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Presidente Lula, o senhor está há mais de quatro décadas na vida pública. Foi sindicalista, candidato derrotado, presidente, preso, solto, candidato de novo, presidente outra vez. Poucos brasileiros viveram tantas vidas políticas, e é justo reconhecer a persistência. Mas persistência não é sinônimo de acerto, e o tempo, que o senhor tanto usou a seu favor, tem o hábito de apresentar a conta.


Durante todos esses anos, o senhor tentou provar uma tese: a de que o Brasil se organiza melhor com um Estado que distribui, um povo que espera e uma política em que o benefício vira laço de gratidão. O resultado dessa tese está aí. Imposto alto, serviço público que não entrega, segurança em frangalhos, um brasileiro que faz conta no mercado e sente que corre para ficar no mesmo lugar. Programa social é necessário para quem precisa. Mas transformar o amparo em plataforma permanente, em vez de ponte para a autonomia, é uma escolha política, e é essa escolha que muita gente no país começa a rejeitar nas urnas.


O primeiro turno falou. E o que fala não é apenas o Brasil, é o mundo. Em muitos países, o eleitor cansou do discurso que promete justiça social e entrega dependência, que fala em povo e governa para a própria máquina. O Brasil não está isolado nessa virada. Está chegando a ela, com atraso e com a calma de quem examinou bastante antes de decidir. Uma nova era está nascendo, e não nasce de capricho, nasce de cansaço.


Seria sensato, Presidente, que este momento fosse de reflexão. Não de teatro, não de acusação ao eleitor que mudou de ideia, não de discurso que trata cada derrota como conspiração. Reflexão de verdade, daquelas que começam com a pergunta mais difícil: e se o erro não estiver no povo, estiver no projeto? Humildade é a virtude que o poder mais dificulta, e é a que mais dignifica quem sai dele.


Há ainda um fato que fala mais alto do que qualquer discurso. Em tantos anos de poder, o senhor não formou um sucessor. Não construiu uma geração de lideranças com luz própria, capazes de arrastar multidões mesmo sem a sua presença no palanque. O partido continua girando em torno de um nome, e quando um projeto político depende de uma única pessoa, ele não é um movimento, é uma biografia. Isso não é detalhe. É o retrato de uma liderança que, em vez de multiplicar, preferiu concentrar.


Compare com o campo que o senhor combate. Jair Bolsonaro, goste-se ou não dele, deixou herdeiros políticos e lideranças que enchem praças sem precisar dele ao lado. Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira, Sergio Moro, Deltan Dallagnol e muitos outros formam uma geração com voz própria, base própria e fôlego para disputar o futuro. É por isso que quem aposta na direita enxerga um ciclo longo pela frente, e acredita que Flávio possa governar por oito anos, antes de uma sucessão que já tem nomes na fila. A esquerda, enquanto isso, olha ao redor e encontra o senhor.


Então, Presidente, fica o recado sem rancor e sem trilha sonora. O ciclo que o senhor liderou chegou ao limite do que tinha a oferecer. O país quer outro rumo, e a democracia existe justamente para que o povo possa dizer isso sem pedir licença. Aceite o veredito com a grandeza que o cargo exige. E, se a urna confirmar o que as pesquisas e o primeiro turno sugerem, aproveite o que vem depois: o descanso de quem já fez história, para o bem ou para o mal, e o direito de olhar para trás com honestidade.


Obrigado, mesmo assim, pelos anos de serviço. E que Deus abençoe a sua aposentadoria.

Ney Ferreira
Um Vascaíno Visionário e Confiante
🇧🇷💢💢🇧🇷

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