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Romeu Zema construiu sua imagem política vendendo ao Brasil a ideia de que seria diferente de todos os outros políticos. O gestor técnico. O empresário equilibrado. O homem supostamente imune às velhas práticas da política brasileira. O “paladino da moralidade”.
Mas a realidade começa a desmontar esse personagem cuidadosamente construído pelo marketing político.
Porque enquanto Zema aponta o dedo, levanta suspeitas e tenta posar como fiscal ético da República, também surgem questionamentos extremamente graves envolvendo seu próprio ambiente político, administrativo e empresarial.
Investigações passaram a citar relações indiretas envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro, licenciamentos ambientais para mineradoras, doações eleitorais e decisões tomadas dentro do Governo de Minas. Além disso, o próprio Romeu Zema foi convocado em CPMI para prestar esclarecimentos relacionados ao escândalo dos consignados ligados ao Banco Master.
Isso automaticamente prova culpa? Não.
Mas também destrói completamente a narrativa arrogante de superioridade moral absoluta que ele tenta sustentar perante o Brasil.
Porque alguém verdadeiramente prudente e institucionalmente responsável não sairia distribuindo insinuações públicas contra terceiros como se ocupasse a posição de juiz moral da política nacional enquanto o próprio governo enfrenta questionamentos delicados, contratos controversos e investigações em andamento.
E existe algo ainda mais revelador nisso tudo: Romeu Zema parece ter descoberto que atacar nomes ligados ao bolsonarismo gera mídia, engajamento e projeção nacional. O problema é que liderança não se constrói apenas através de ataques seletivos e frases provocativas cuidadosamente calculadas para virar manchete.
O brasileiro já está cansado de políticos que usam moralidade como ferramenta de marketing eleitoral.
Porque coerência exige coragem para aplicar ao próprio nome exatamente a mesma régua moral utilizada contra os outros.
Enquanto Zema falava sobre relações financeiras privadas de terceiros, o próprio Governo de Minas enfrentava desgaste envolvendo contratos milionários, licenciamentos ambientais investigados, relações empresariais politicamente sensíveis e até suspensão de contrato após investigação envolvendo lavagem de dinheiro.
E isso muda tudo.
O “gestor diferente” começa a parecer cada vez mais um político tradicional tentando se proteger atrás de discurso moralista enquanto escolhe cuidadosamente quem atacar e quando atacar.
Talvez o maior problema de Romeu Zema seja justamente esse: ele parece acreditar que o eleitor brasileiro ainda aceita personagens fabricados de pureza política absoluta. Mas o Brasil mudou. O eleitor observa incoerência rapidamente.
E no final das contas, quem vive tentando posar de santo paladino normalmente enfrenta mais dificuldade quando começam as perguntas sobre aquilo que acontece ao redor do próprio altar.
Ney Ferreira
