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A imagem que compara os 58,1 milhões de votos somados pelos candidatos do PL ao Senado com os 56,1 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026 apresenta números compatíveis com as checagens publicadas. O problema está na interpretação que tenta transformar essa diferença em suspeita de irregularidade.
Tecnicamente, estamos comparando grandezas diferentes. Na eleição para o Senado, cada eleitor podia votar em dois candidatos. Na eleição presidencial, podia votar em apenas um. Além disso, a soma dos votos dos candidatos de um partido inclui concorrentes eleitos e não eleitos, e não representa necessariamente um conjunto de eleitores exclusivos.
Um mesmo cidadão pode votar em Flávio Bolsonaro para presidente e em dois candidatos do PL para o Senado. Nesse caso, ele gera um voto presidencial e dois votos senatoriais. Por isso, somar os votos dos candidatos ao Senado e comparar o resultado com o de um candidato à Presidência não é uma metodologia válida para identificar fraude.
Existe ainda outro equívoco: presumir que todo eleitor de um candidato presidencial votará necessariamente nos candidatos do mesmo partido para os demais cargos. O voto não funciona como uma obrigação de fidelidade partidária. Cada escolha é independente, e o eleitor pode apoiar candidatos diferentes.
Isso não significa que eleições devam ficar imunes a questionamentos. Significa que questionamentos sérios precisam ser sustentados por evidências concretas, dados verificáveis e análises estatísticas adequadas, e não por comparações que ignoram as regras do próprio sistema eleitoral.
Minha posição é clara: transparência, fiscalização e auditoria são indispensáveis à democracia. Mas a responsabilidade intelectual também exige que não confundamos uma diferença matematicamente explicável com uma irregularidade comprovada.
A democracia não se fortalece com suspeitas fabricadas a partir de cálculos incompletos. Fortalece-se com fatos, método, transparência e respeito à inteligência do eleitor.
Ney Ferreira
